segunda-feira, 12 de novembro de 2007

RATOS NAO ASSUSTAM!!!


Infestação de ratos não assusta mais nova-iorquinos
Thomas J. Lueck


O rato que estava circulando os pés de Andre Thomas era grande e audacioso, e media mais de 1 m da cauda a um focinho pontudo que ele inclinava para cima, atraído pelo cheiro do sanduíche de queijo e presunto que Thomas estava comendo. O encontro talvez não tenha parecido muito incomum para bom número de moradores de Nova York, que se acostumaram, ainda que ressabiados, a ver ratos correndo pelos trilhos do metrô ou concentrados em torno de latas de lixo, especialmente depois que escurece.
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Mas Thomas se assustou com o rato devido ao lugar e especialmente à hora em que o encontro ocorreu -14h de uma tarde brilhante de outono, enquanto ele estava acomodado em um banco do belo City Park Hall, a jóias entre os parques da cidade depois que seus 3,6 hectares passaram por uma renovação orçada em US$ 30 milhões, em 1999. O parque é um dos pólos do esforço de renovação que vem sendo empreendido na parte sul de Manhattan.

"No começo, achei que era um esquilo", disse Thomas, depois de deixar o local. "O prefeito não trabalha logo ali?" A experiência de Thomas com o roedor não pode ser considerada incomum. Se ele tivesse olhado por baixo dos bancos do parque e em seus arbustos cuidadosamente podados, teria avistado pelo menos seis outros ratos correndo por ali, despreocupados quanto à presença de seres humanos.

A infestação do City Hall Park por ratos, que é causa clara de embaraço para a cidade, foi reconhecida em entrevistas de funcionários de primeiro escalão do Departamento de Saúde e Higiene Mental, a principal agência de controle de roedores da cidade, e pelo Departamento de Parques e Recreação.

"Trata-se de uma grande questão, por aqui, e nós a reconhecemos", disse Jessica Leighton, vice-comissária de saúde ambiental no departamento de saúde. Adrian Benepe, o comissário municipal de parques e recreação, disse que o City Hall Park "oferece o conjunto perfeito de circunstâncias para ratos".

De fato, a extensa reforma do parque não só produziu um oásis verdejante mas, sem intenção, criou um refúgio para ratos: abundância de vegetação rasteira, latas de lixo acessíveis a roedores e multidões de visitantes que vão ao parque almoçar, levando seus sanduíches. Além disso, há os grandes projetos de construção na área, entre os quais o da torre que ocupará o terreno do World Trade Center, e eles forçaram muitos ratos a abandonar suas tocas subterrâneas.

É evidente que ratos podem ser encontrados em parte dos 1,2 mil hectares de parques da cidade. E eles certamente incomodam tanto os pais que os avistam perto dos lugares em que seus filhos brincam quanto os grupos formados principalmente por adultos que vão todos os dias ao City Hall Park.

"Não conheço um parque em que não haja ratos", disse Geoffrey Croft, presidente da NYC Park Advocates, uma organização sem fins lucrativos que se dedica a melhorar os parques da cidade. Por anos, disse, a cidade vem dedicando verbas insuficientes ao controle de roedores nos parques. Benepe disse que não havia como determinar se a infestação de ratos no City Hall Park era pior do que em outros parques. Mas, afirmou, os fatores que os atraem vão além de migalhas de pão, embalagens de sanduíche manchadas de mostarda, cascas de banana e outros restos de comida deixados a cada dia pelos visitantes.

O parque, um centro histórico de vida cívica da cidade desde o começo do século XVII, quando a ponta sul de Manhattan era uma colônia comercial holandesa conhecida como Nova Amsterdã, se localiza por sobre uma estação de metrô abandonada, bem como por sobre alguns dos complexos de túneis, esgotos e equipamentos de metrô mais tortuosos da cidade. "A infra-estrutura oferece passagens subterrâneas aos ratos", disse Benepe, e lhes providencia um lugar quente e seguro no inverno. E uma recente seqüência de invernos quentes reduziu a proporção da população de roedores que seria eliminada normalmente pelo frio, a cada ano.

Além das obras no local do ataque, há outros canteiros de obras que quase cercam o parque, entre os quais o trabalho em uma nova estação de conexão de linhas de metrô que está sendo criada na esquina das ruas Broadway e Fulton. "Isso causa grande perturbação aos ratos", ele afirma.

Até agora, dizem funcionários da prefeitura, diversas medidas de combate aos roedores foram tomadas no City Hall Park. Cartuchos contendo veneno para ratos foram inseridos nas passagens que os ratos escavam sobre os gramados e a folhagem do parque, e em recipientes em formato de caixa projetados de forma a evitar que seu conteúdo seja comido por cachorros, pássaros e esquilos.

A hera, que era usada extensamente como cobertura de solo no parque, foi removida, porque oferecia esconderijos e um ambiente favorável à procriação dos roedores. Cestos de arame, que os roedores conseguem penetrar facilmente, foram substituídos por unidades de metal sólido. Um exterminador de pragas que vem trabalhando como consultor para a cidade, dará início a um programa de coordenação em tempo integral dos esforços de combate a ratos de diversas agências, na terça-feira. Mas por enquanto os ratos parecem estar vencendo. E a presença deles no City Hall Park é notável também porque os animais, usualmente notívagos, têm cada vez mais saído à luz do dia.

Eles parecem não temer as pessoas e se sentem perfeitamente confortáveis em seu ambiente, demonstrando uma tendência brincalhona semelhante à dos esquilos. Os turistas que visitam o parque apenas uma vez parecem encarar com calma os encontros com ratos. Lisa Harris, 32 anos, estilista em Toronto, estava sentada em um banco quando percebeu um rato se aproximando de seus pés.

Ela não se mexeu, e continuou comendo seu sanduíche, e o rato fugiu. "O que se pode fazer?", disse. "Temos ratos no Canadá, mas nunca os vi nos parques. Não gosto deles, mas não vou gritar e dar pulinhos".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times

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The New York Times

Rato passeia por baixo de banco do City Park Hall, em Nova York

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